"Quero a humanidade, a antimatéria, expandindo por todas as partes, semeando vida, pra esta morte coletiva”
Aqui, um trecho das palavras do artista comentando seu novo trabalho: Disritmia.
O dicionário diz: disritmia. Distúrbio de ritmo, como, do ritmo cardíaco, cerebral, etc. Incrível como as pretensões sonoras ou sentimentos pela música faz com que esqueçamos o significado literal da palavra. Quando pensei em criar o show Disritmia nem por perto passou na minha cabeça o peso que trazia essa palavra, embora soubesse o significado, o sentimento deslocou o peso e assim deve ser na arte.
Um trabalho engajado, mesmo que passe por alguns experimentos, não deve nem precisa soar tosco ao ouvinte-expectador, não devemos esquecer a beleza. Recentemente, li uma entrevista de David Banner que falava sobre a música e a internet e pensei: nossas opiniões corroboraram-se não só nas questões musicais que se referem à beleza na arte, mas também sobre o uso da internet em relação à exploração musical e a criação neste momento.
Disritmia não só tem pretensões sonoras, mas também preocupações profundas com os problemas que permeiam a humanidade e em particular o Brasil. O prefixo “diz” pode dialogar com “des” e entre “desaprender”, “desconsertar”, “desorganizar”, “desnominar”, elocubrar e promover discussões não somente de vanguarda, mas as emulações que afligem a alma humana, o nosso momento, a política, as segmentações das classes, as formações de grupos, o sistema de vigilância tão discutido por Foucault em sua filosofia, a internet e as artes. Disritmia, uma proposta estética poético-musical, um diálogo, uma profusão sonora, os experimentos, o rock, o frevo, o samba, a bossa, o afrobeat, o xote e as palavras: tenho a alma de asas ritmadas por versos.